Millydielle's Blog

4 de março de 2012

A vida é consequência

Filed under: Stella Florence — by milly_JF @ 14:28

Era uma rua, mais uma entre milhares de ruas iguais, quando constatei algo bastante comum: eu havia me perdido, de novo (meu senso de direção é próximo do inexistente). Já inventaram um troço chamado GPS, eu sei, mas por que eu me endividaria para comprar um se nem carro tenho?
Mas nada disso importa: o fato em questão é que eu me perdi. E, nessa perdição, me vi diante de um bar. Achei curioso que meus passos tenham me levado, mesmo que tontos e cegos, justamente àquele bar, no qual eu havia conhecido um certo homem tempos atrás.
Já que eu estava mesmo perdida e seguir para a esquerda ou direita não faria diferença, entrei no bar vazio e pedi um chá gelado. Sozinha e em silêncio (confesso que esta é uma das minhas modalidades preferidas de existir) me lembrei do que houve na noite em que eu e o certo homem nos conhecemos, de tudo o que veio depois por causa daquela específica noite e do quanto eu gostaria de voltar no tempo para nunca, jamais, de modo algum ter sequer saído de casa por toda a semana (incluo a semana inteira só para garantir minha ausência naquele momento).
Há homens assim, que, quando olhamos para trás, apenas nos provocam um suspiro e a frase “como eu gostaria de não tê-lo conhecido!”. Bem, mas eu o conheci. E uma das coisas que aquele homem mais repetia é que o importante na vida são apenas os bons momentos que passamos, que isso é tudo e é o máximo que podemos abocanhar dela.
Pois era mentira dele – ou, mais precisamente, uma teoria equivocada. Os momentos que criamos ou de que somos vítima não são o mais importante da vida, eles não são isolados flocos de espuma a se desfazerem com o escoar das horas. O mais importante, o realmente fundamental, é a consequência que cada momento gera, consequência que se ligará a outra, a outra e a mais outra, a nos seguir como um dragão chinês, cada dia mais longo.
Quando um momento acaba, são com suas consequências que iremos viver todas as outras infinitas horas da nossa vida. Mesmo que nos especializemos em não fazer nada, esse nada também trará em si um efeito inevitável. Desse modo, a cada ano, a cada aniversário, a cada carnaval, eu, você, aquele homem, todos nós, levamos um número cada vez maior de consequências nas nossas costas, sejam elas boas ou más, asas ou âncoras. (Eis uma esperança: a cada atitude intencionalmente boa, um resultado bom nos acompanhará. O tal dragão chinês pode adquirir várias formas, afinal).
Portanto, é mentira que tudo o que a vida nos dá é uma sensação inofensiva e desconectada após a outra, um fluir ininterrupto de trechos de sol ou chuva, de sinais fechados ou abertos. A vida é muitíssimo mais do que isso. Ela é consequência, meu caro. E, mesmo que você finja, mesmo que você fuja, mesmo que você minta, em algum momento, nesta vida ou na outra, você também irá sentir o peso de cada uma das suas ações.

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