Millydielle's Blog

4 de março de 2012

“O homem que vai morrer” (ou “Do que é que você está falando?”)

Filed under: Stella Florence — by milly_JF @ 14:23

Ele vai morrer. É uma questão de tempo e você sabe disso. Mas enquanto esse homem não morre (e justamente por isso), ele tenta te enlouquecer. E se você fosse burra, ele conseguiria.

Há uma tática perversa que alguns homens usam para cortar definitivamente uma mulher de suas vidas e ele, esse homem que vai morrer, usou-a em você. Sim: em você. Bem no meio de você. Bem através de cada uma das camadas das suas entranhas.

A tal tática consiste em se envolver (ou, o que seria mais exato, envolver você), depois te dar um fora súbito (coisa que ele tem o direito de fazer) e mais tarde – aí entra a perversão –, quando você já recolheu sua viola no saco e apenas faz um comentário ou reflexão sobre o romance que houve entre vocês, esse homem que vai morrer diz: “Mas do que você está falando?”.

Quando alguém comenta algo estupidamente absurdo, em vez de cortar o comentário com uma frase ácida, o melhor é repetir o absurdo que a pessoa disse para ver se ela percebe seu nível de estupidez. E isso tem de ser feito lentamente: “Do que eu estou falando?” seria a resposta certa. Todavia, com ele, você nunca ficou em guarda para dar respostas certas, portanto você apenas responde: “Deixa pra lá.”

Mas do que você estava falando, afinal? Ora, do envolvimento que vocês tiveram, daquilo que você define como envolvimento e que ele sabe-se lá Deus como define, se é que define de alguma maneira.

A perversão entra não quando ele desiste de você com nojo (ou seja, sem, ao menos, tentar alguma modificação na rotina romântica que ele mesmo havia estabelecido). O perverso também não foi ele quebrar suas resistências, para depois te quebrar inteira: isso foi apenas infantil. Perverso mesmo é insinuar que você está num surto de loucura, imaginando coisas que jamais existiram. A frase “Do que você está falando?” nega a existência dos dias deliciosos, cálidos, excitantes, bem-humorados, românticos, intelectualmente estimulantes que vocês passaram juntos. E é ainda mais do que isso: com essa pergunta, ele nega a sua sanidade.

Se você fosse burra, ele conseguiria te enlouquecer. Mas você sabe o que houve entre vocês, você se lembra dos dias deliciosos, cálidos, excitantes, bem-humorados, românticos, intelectualmente estimulantes e lamenta muito que isso se perca num mar de medo e frieza.

Ele se tornou apenas mais um homem que vai morrer. Porque algum dia esse homem vai morrer – como tantos outros, dentro de você.

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