Millydielle's Blog

4 de março de 2012

Primeiro encontro

Filed under: Stella Florence — by milly_JF @ 14:30

“Todos os primeiros encontros são decepcionantes, todos!” Foi isso que ouvi uma amiga cuspir na minha orelha com toda fúria enquanto víamos uma exposição na Casa das Rosas.

– Se você está numa vibe romântica – continuou ela, irritada –, o cara fica cortando sua onda. Se você quer transar com ele, ele fica apavorado para que você não se apaixone. Se você fica nervosa porque vai encontrá-lo, ele diz que isso é fruto de uma alta expectativa. Se você diz que não faz questão de jantar com vinho e velas, ele diz que você não está dando a atenção que ele merece. Não dá pra vencer esse jogo!

Enquanto ouvia os detalhes da sua mais recente aposta afetiva, fiquei pensando… Talvez o grande problema dos primeiros encontros esteja antes de sair de casa, nas conversas que foram travadas entre vocês, esteja na linha com que a mulher costurou esse encontro dentro da sua cabeça.

Mulheres (e homens) saem para um primeiro encontro pensando no que o outro pode lhes dar, nas suas necessidades femininas, nos seus desejos, nas suas carências e frustrações. É como se houvesse uma fumaça ora rosa-choque, ora negra a lhes envolver, uma fumaça que as induz a exigir que o gajo em questão supra suas carências (de preferência todas) e sane suas frustrações (de preferência todas). E de preferência na primeira noite.

Sei que, colocado desse modo, parece um desastre anunciado. E é! Não há possibilidade de que algum prazer, qualquer prazer, ecloda daí.

Minha amiga me pergunta o que, na minha sacrossanta opinião, seria um bom primeiro encontro. Por conta da sua ironia mal disfarçada, a convido para um café (vamos adoçar um pouco a moça) e só então digo o que penso.

Um bom primeiro encontro deveria ser uma coroação do amor, mas eu não me refiro a esse amor romântico cheio de taxas sob a forma de elogios, promessas e lugares-comuns.

Uma mulher que sai para um primeiro encontro poderia ter não a preocupação do que aquele homem pode dar a ela, mas ao contrário, do que ela pode dar àquele homem. E, obviamente eu não me refiro a sexo, embora ele possa ocorrer.

Por que não ter como objetivo transformar algumas horas do dia desse homem numa experiência prazerosa? Por que não pensar que talvez haja um náufrago do outro lado da mesa e que esse náufrago queira apenas que alguém entenda isso? Talvez haja um sedento de inteligência, de gratuidade, de bobagens, de compreensão, de silêncio. Talvez haja um homem tão cansado de cumprir papéis quanto você e você vai sair para cobrar dele justamente mais um espetáculo nesse mesmo cansativo papel?

Em vez de querer amor, por que não sair para dar amor? Amizade é amor. Atenção é amor. Ficar em silêncio é amor. Dar as mãos sem a necessidade de nada mais é amor. Emprestar um livro ou um CD especial é amor. Se preocupar com o outro mais do que com você é amor.

Você não tem nenhum controle sobre o que vai receber de alguém, mas tem controle absoluto sobre o que dá, então que tal fazer um uso generoso disso? Experimente pensar com carinho apenas no bem-estar do outro. Quem sabe esse outro não sai de casa com o mesmo intuito? Desse modo, talvez, apenas talvez, possa acontecer um bom primeiro encontro.

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